O segundo turno já começou

 

As pesquisas desta e da última semana indicam que a eleição já adquiriu uma dinâmica própria: a polarização entre Haddd e Bolsonaro. Ou, nas palavras do sociólogo Marcos Coimbra, do Vox Populi,  “O país está dividido entre o petismo e o antipetismo, como acontece nas eleições desde 1990”. Em vez do partido de direita neoliberal, o PSDB, o polo do antipetismo foi assumido pela extrema-direta de cores fascistas com Bolsonaro. Isso quer dizer que, na prática, o segundo turno da eleição já está em curso. Ele poderá ser disputado em uma ou duas etapas. Dependerá da concentração do “voto útil” em Haddad e Bolsonaro.

Não se trata de uma decisão dos políticos ou dos partidos e sim do eleitor. À direita, Alckmin que não conseguiu se viabilizar, começa a definhar. Tem 9% na última pesquisa Datafolha, mas o cenário é ainda pior na Vox Populi: 4%. As pesquisas começam a indicar que os candidatos nanicos de direita, Álvaro Dias, Amôedo e Meirelles, podem ser esvaziados de vez no processo de concentração em Bolsonaro.

No caso da esquerda, com o crescimento fulminante de Haddad como candidato de Lula, as pesquisa já indicam que Ciro Gomes, depois de experimentar uma elevação nas semanas que antecederam a decisão do PT, parou de subir e já há, nos trackings dos partidos, os primeiro sinais de queda. Boulos e João Goular Filho têm oscilado entre 0 e 1%, com pouca significação para o processo de concentração em Haddad.

Marina Silva, que migrou da esquerda à direita nos últimos anos, ainda é identificada por seus eleitores como de “centro” ou “centro-direita” e está definhando a olhos vistos. Na recente pesquisa Datafolha, perdeu metade de seus eleitores (caiu de 16% para 8%) e no Vox Populi despencou de 11% para 5% -as pesquisas indicam que seus eleitores estão, em maior número, migrando para Haddad.

Sensíveis às oscilações do eleitorado, os políticos começam a reagir. O DEM e outros partidos do “centrão”, que embarcaram na canoa furada de Alckmin, já começam a abandoná-la, com os primeiros sinais de adesão a Bolsonaro, em linha com os movimentos do “mercado” (bancos, sistema financeiro e rentistas). Mesmo no PSDB, há sinais de deserção. João Doria começa a sinalizar que irá aderir a Bolsonaro em breve.

No campo da esquerda, a mudança mais significativa acontece nos discursos. Ciro já admite apoio aberto a Haddad no segundo turno; na manhã desta terça (18), em entrevista na CBN, Haddad fez o mesmo e disse que apoiaria Ciro no segundo turno. A posição de ambos é quase uma autorização de que seus eleitores migrem para o candidato melhor posicionado caso o crescimento de Bolsonaro confirme o caráter de segundo turno para a votação de 7 de outubro. Com Haddad disparando, a migração dos eleitores de Ciro poderá ser acelerada, mas haverá um espaço de conciliação, devido à tese do “bem maior” -a derrota de Bolsonaro.

Haddad e Bolsonaro ganharão musculatura suficiente para de fato transformar o primeiro turno da eleição em turno único. É cedo para dizer. Mas a votação de 7 de outubro, se não definir o pleito, terá o caráter de prévia do segundo turno.

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